Todo dia alguém chega na nossa loja com uma peça na mão e me faz a mesma pergunta: isso aqui é ouro mesmo?
Às vezes é um anel que veio da avó. Às vezes é uma corrente comprada pela internet que chegou pesando menos do que a foto prometia. Às vezes é uma aliança de trinta anos que escureceu e o dono achou que tinha sido enganado a vida toda.
Em junho publicamos no nosso Instagram um vídeo do teste que fazemos aqui na loja. A legenda dizia:
O vídeo trouxe uma enxurrada de perguntas. Este texto é a resposta longa que eu escrevi na bancada, com uma diferença importante em relação à maioria dos guias que você vai achar por aí: aqui você não vai ser ensinado a pingar ácido em casa.
Como saber se o ouro é verdadeiro: a resposta curta
Nenhum teste caseiro dá certeza. Em casa você consegue eliminar boa parte das peças falsas em cinco minutos: ouro não gruda em ímã, não perde cor no atrito e é surpreendentemente pesado para o tamanho.
O que esses testes não dizem é quanto de ouro existe na peça. Esse “quanto” se chama teor, e é ele que separa uma joia 18k de uma peça folheada ou de ouro mais baixo. Descobrir o teor exige exame de bancada.
Na nossa loja a gente confere a peça com você, explicando cada etapa. Traga a peça ou fale com a gente no WhatsApp antes de vir.
Você acabou de herdar uma caixa de joias? Então comece por aqui: os cinco passos antes de mexer em qualquer coisa. O resto deste guia continua te esperando depois.
O que os testes caseiros realmente fazem
Eles funcionam por eliminação. Se a peça grudou no ímã, você já sabe que ela não é ouro e economizou a viagem. Se não grudou, você não sabe nada ainda: só descartou uma hipótese.
É uma diferença que parece pequena e não é. Muita gente faz o teste do ímã, vê que não gruda e conclui que tem ouro na mão. O que está na mão pode ser latão, aço inoxidável, prata, titânio ou uma peça de bijuteria com núcleo não magnético.
Por que a bancada consegue o que a cozinha não consegue
Porque o joalheiro não está procurando uma resposta de sim ou não. Ele está medindo quanto de ouro existe ali. Uma peça pode ser ouro de verdade e ser 10k, quando foi vendida como 18k. Nesse caso todos os testes caseiros passam e o cliente foi enganado do mesmo jeito.

O que significa 750 gravado na joia
Se a sua peça tem 750 gravado em algum canto, essa é a informação mais direta que ela carrega. O número diz que, em cada mil partes do metal, 750 são de ouro puro. Só que o carimbo é um indício, não uma garantia: no Brasil não existe órgão que certifique essa marcação, e qualquer pessoa de má-fé pode gravar 750 num metal que não é ouro. O carimbo diz o que o fabricante declarou, e quem confirma é o exame.
750 e 18k são a mesma coisa
Setecentos e cinquenta partes em mil equivalem a 75%. E 75% de 24 é 18. Por isso ouro 750 e ouro 18k são exatamente o mesmo material, escritos em duas escalas diferentes.
A escala de quilates divide o metal em 24 partes. Ouro 24k seria ouro puro. Ouro 18k tem 18 partes de ouro e 6 partes de outros metais. A escala de milésimos faz a mesma conta com base mil, e é a que aparece gravada na maioria das peças.
| Gravado na peça | Quilates | Ouro puro |
|---|---|---|
| 999 | 24k | 100% |
| 750 | 18k | 75% |
| 585 | 14k | 58,5% |
| 417 | 10k | 41,7% |
Ouro 24k, 18k e 14k: o que muda na prática
A diferença entre os teores aparece em três lugares: na cor, na resistência e no preço.
| Teor | Cor | Dureza | Uso |
|---|---|---|---|
| 24k | Amarelo alaranjado, bem intenso | A menor | Barra e investimento, raro em joia |
| 18k | Amarelo cheio | Equilibrada | Padrão da joalheria brasileira |
| 14k | Visivelmente mais pálido | A maior | Comum nos EUA e em quem usa muito a mão |
Cor
Quanto mais ouro, mais intenso o amarelo. Uma peça 24k tem um tom alaranjado que assusta quem está acostumado com 18k. Uma peça 14k é visivelmente mais pálida, porque tem quase metade de outros metais.
Resistência
Aqui a lógica se inverte. O 14k é mais duro que o 18k, que é mais duro que o 24k. Para quem trabalha com as mãos, um teor menor pode fazer sentido. No Brasil, ainda assim, o padrão consolidado da joalheria é o 18k.
Preço
O preço do metal acompanha o teor de forma quase linear. Se o grama do ouro puro está a um determinado valor, o grama do 18k vale aproximadamente 75% disso. O preço da joia segue outra lógica, e volto a esse ponto mais adiante.
Como saber se a joia é ouro em casa: os testes seguros
Os quatro primeiros você pode fazer agora, sem risco para você nem para a peça. Nenhum deles confirma o teor: todos servem para eliminar. O quinto está aqui para você não fazer.
1. Como saber se o ouro é verdadeiro com ímã
Ouro não é magnético. Pegue um ímã razoavelmente forte, desses de caixa de som velha ou de fecho de bolsa, e aproxime da peça inteira.
Se grudar, não é ouro. Se não grudar, o teste não concluiu nada, porque vários metais baratos também não são magnéticos: latão, alumínio, titânio e boa parte dos aços inoxidáveis usados em bijuteria.
Um detalhe que quase ninguém testa: passe o ímã no fecho e nas argolas, não só no corpo da peça. É comum encontrar corrente de ouro com fecho de outro metal.

2. A lupa nas soldas e nos pontos de atrito
Peça banhada perde a camada primeiro onde há fricção: a parte de baixo do anel, a lateral do fecho, a dobra da pulseira. Com uma lupa simples, procure um tom diferente aparecendo por baixo.
Se aparecer um metal branco ou avermelhado sob o dourado, você está vendo o material de base. Ouro maciço se desgasta, mas não muda de cor ao desgastar.
3. O peso
Este é o teste caseiro que mais engana quem falsifica, porque é o mais difícil de imitar. Ouro é muito denso. Ouro puro tem cerca de 19,3 gramas por centímetro cúbico, e o 18k fica em torno de 15,5. Latão fica perto de 8,5.
Na prática: uma peça de ouro parece pesada demais para o tamanho dela. Quem lida com joia todo dia percebe isso na mão antes de pesar.
4. A pele
Ouro 18k não mancha a pele em condições normais. Se a sua peça deixa marca verde ou escura no dedo, o mais provável é que haja cobre exposto, o que aponta para banho gasto ou liga de baixo teor.
Vale uma ressalva honesta: pele muito ácida, medicamentos e produtos de limpeza mudam esse comportamento. É indício, não veredito.
Coceira, vermelhidão ou bolha são outra coisa e não dizem nada sobre o teor. Isso costuma ser reação alérgica, geralmente ao níquel, que aparece em ligas de peças mais baratas. Se acontecer, tire a peça e procure um dermatologista, não um joalheiro.
5. O teste do som: não faça
Este entra na lista pelo motivo contrário aos outros: para você não fazer. A ideia circula na internet como derrubar a peça numa superfície dura e julgar pelo tinido.
Além de as descrições do que se ouve variarem de um site para outro, a queda amassa corrente fina, solta pedra da garra, lasca esmalte e trinca pérola. Numa peça de herança, é o único item desta página capaz de causar dano que não volta atrás.
Joia sem marcação não é ouro? E o 750 garante?
Aqui está o ponto que mais gera discussão na nossa loja. Encontrar “750” numa peça é um bom sinal e não é uma garantia.
Gravar um número é fácil
A marcação é feita com punção ou a laser. Quem produz peça falsificada grava “750” com a mesma facilidade com que grava qualquer outra coisa. O número não é um selo emitido por terceiro: é uma inscrição que o fabricante coloca.
A peça pode ter teores diferentes dentro dela
Este é um caso que eu vejo com frequência na bancada e que quase nunca aparece nos guias. Uma peça pode ser 18k no corpo e ter solda de teor menor. A solda precisa derreter numa temperatura mais baixa que a peça, senão a peça derrete junto. Isso é normal e não é fraude.
O que muda é a conta: quando a peça vai para refino, o teor médio sai um pouco abaixo do que a marcação sugere.
Peça antiga muitas vezes não tem marcação nenhuma
Joia brasileira feita há quarenta, cinquenta anos frequentemente não traz marcação. Isso não significa que não seja ouro. Significa apenas que a peça é de uma época e de um contexto em que o ourives não marcava.

Teste do ácido no ouro: como funciona e por que não fazer em casa
É o teste do nosso vídeo, e é o mais mal explicado da internet. Vou descrever como funciona, porque entender ajuda você a acompanhar o exame. E vou pedir, com todas as letras, que você não tente fazer em casa.
Como ele funciona
O ouro é um metal nobre: resiste à corrosão e não reage com a maioria dos ácidos. O ácido nítrico sozinho não dissolve ouro. Para dissolver ouro é preciso água régia, uma mistura de ácido nítrico com ácido clorídrico.
É exatamente essa teimosia do ouro que faz o teste funcionar. O joalheiro risca a peça numa pedra de toque, pinga o ácido sobre o risco e observa.
Se o risco permanece, há ouro no teor que aquele ácido testa. Se some, o teor é menor do que o esperado, e aí existem duas hipóteses bem diferentes: pode ser ouro de teor mais baixo, como 14k ou 10k, ou pode não haver ouro nenhum além do banho.
É para separar essas hipóteses que o joalheiro usa ácidos de concentrações diferentes, estreitando a faixa até chegar ao teor.
Por que isso não é para casa
Ácido nítrico é corrosivo e provoca queimadura química grave. Em contato com a pele causa lesão que continua avançando depois do contato, e produz uma coloração amarelada característica. Os vapores irritam as vias aéreas e, em concentração alta, podem levar a edema pulmonar.
Quem manipula usa luva, proteção ocular, proteção facial e ventilação adequada. Em caso de contato com a pele, a orientação é remover a roupa atingida e lavar com água corrente em abundância por pelo menos trinta minutos. Respingo no olho é emergência: lave imediatamente com água corrente, mantendo a pálpebra aberta, e procure atendimento sem interromper a lavagem no caminho (Manuais MSD).
Não existe versão caseira segura desse teste. Traga a peça e a gente faz com você olhando, sem custo.
O teste do ácido também marca a peça
Um detalhe que raramente se menciona: para riscar a peça na pedra de toque é preciso retirar um pouco de material. Em peça pequena ou muito fina, o joalheiro escolhe um ponto discreto. Ainda assim, é um exame que deixa vestígio, e por isso existe alternativa.
O método que não toca na peça
A fluorescência de raios X, conhecida como XRF, lê a composição do metal sem raspar nada. É o método usado por refinarias e por compradores de ouro sérios. Ele mede o teor da superfície, o que traz uma limitação própria: numa peça com banho espesso, a leitura da superfície pode ser mais generosa que o interior.
Nenhum método é perfeito sozinho. Por isso a bancada combina peso, marcação, comportamento e ácido.
Joia, semijoia, folheado e banhado: por que ninguém concorda
Se você já achou que essas palavras eram confusas, a explicação vai te aliviar: elas são confusas mesmo, e não é culpa sua.
O que existe de norma e o que não existe
Existe norma técnica para uma parte disso. A ABNT NBR 15876 classifica o revestimento de ouro das joias folheadas, e nasceu justamente de articulação do setor para separar folheado brasileiro de bijuteria.
O que não existe é uma classificação oficial e obrigatória que amarre os termos comerciais. Nenhuma regra impede uma loja de chamar de semijoia o que a loja da esquina chama de folheado. O IBGM, instituto que representa o setor, trabalha há anos por essa padronização.
Norma técnica também sai de circulação. A NBR ISO 9202, que tratava dos teores de ligas de metais preciosos, foi cancelada em janeiro de 2026. A versão internacional segue publicada pela ISO, o que não cria obrigação para o comércio brasileiro.
A consequência prática: “semijoia” na loja A e “semijoia” na loja B podem ser produtos muito diferentes. Como a palavra não é regulada, ela não é uma informação confiável. O que resta é perguntar o que exatamente a peça tem e, na dúvida, testar.
O que os termos costumam significar no uso corrente
| Termo | Do que é feita | Descasca? |
|---|---|---|
| Joia | Metal precioso maciço, ouro ou prata, na peça inteira | Não, porque não há camada |
| Folheado | Outro metal com camada de ouro mais espessa | Com o tempo, sim |
| Banhado | Outro metal com camada de ouro mais fina | Sim, e mais rápido |
| Semijoia | Peça banhada com acabamento apurado. É o termo mais elástico | Sim, depende da camada |
| Bijuteria | Sem metal precioso, com ou sem cobertura dourada | Sim |
A diferença entre folheado e banhado está na espessura da camada de ouro depositada no processo galvânico, medida em milésimos. Camada mais grossa dura mais. Como nenhuma regra obriga a loja a informar essa espessura, pergunte.
Como isso vira problema para você
O banho tem prazo. Uma camada fina se desgasta em meses de uso diário; uma camada espessa dura anos. Nenhuma delas é permanente. Peça maciça, ao contrário, não descasca porque não há camada a descascar.
Se você quer entender o mesmo assunto do lado da prata, escrevemos sobre isso em Prata 925 é joia.

Por que o ouro 18k escurece (e o que isso não significa)
Esta é, de longe, a dúvida que mais me chega depois de “é ouro mesmo?”. E quase sempre vem com um susto: a pessoa acha que escurecer é prova de falsificação.
Ouro 18k pode escurecer, sim
O ouro em si não oxida. Mas o seu anel não é feito só de ouro: um quarto dele é liga, e a liga do ouro amarelo leva cobre e prata. Cobre e prata reagem com o ambiente.
O resultado é uma película escura na superfície, principalmente em regiões de contato com suor, perfume, produto de limpeza e água de piscina. Cidade litorânea, com ar salino, acelera o processo.
O que diferencia escurecimento de desgaste de banho
São coisas diferentes e dá para distinguir olhando. Ouro maciço escurecido continua dourado por baixo da película, e o brilho volta com polimento. Peça banhada com camada gasta mostra outra cor aparecendo, normalmente branca ou avermelhada, e o polimento não traz de volta o que já saiu.
Ou seja: se a sua peça escureceu por igual e recuperou o brilho depois de uma limpeza, isso é comportamento normal de ouro 18k.
O polimento é o que devolve o brilho
No ateliê, o acabamento final é uma das etapas que mais exigem atenção. É o polimento que faz uma peça de dez anos voltar a parecer nova.
É um serviço rápido e vale para qualquer peça de ouro, comprada aqui ou não. Se a sua está opaca, mande uma foto no WhatsApp e a gente te diz o que dá para fazer.
Qual a diferença entre ouro amarelo, branco e rosa
As três cores partem do mesmo ouro. O que muda é o que acompanha nos 25% restantes.
Ouro amarelo
Leva prata e cobre em proporções próximas. É a liga tradicional e a mais estável no uso diário.
Ouro rosa
Leva mais cobre. Quanto mais cobre, mais avermelhado o tom. Como o cobre é o metal que mais reage, peças rosa costumam escurecer com mais facilidade que as amarelas.
Ouro branco e o banho de ródio
Aqui mora uma confusão que gera muita reclamação. A liga do ouro branco não é branca de fato: ela puxa para um cinza amarelado. O tom espelhado que você vê na vitrine vem de um banho de ródio aplicado por cima.
O ródio se desgasta com o uso. Depois de um tempo, a peça começa a puxar para um tom mais quente, especialmente na parte de baixo do anel. Isso não é defeito, e não quer dizer que a peça deixou de ser ouro.
O banho é refeito em ateliê, e é um serviço de manutenção comum. Vale perguntar sobre isso antes de comprar, porque é um custo que volta de tempos em tempos e nem sempre entra na conversa da vitrine.

Peça com pérola ou pedra: os testes que não valem
Esta seção existe porque muitas peças que chegam aqui têm alguma pedra presa no metal, o que a bancada chama de peça engastada. E isso invalida boa parte do que você leu até agora.
O teste do peso deixa de funcionar
A conta de densidade parte do princípio de que a peça é feita de um material só. Uma pedra, uma pérola ou um esmalte têm densidade completamente diferente do ouro e distorcem o resultado. O mesmo vale para peça oca, que é comum em brinco de argola e em corrente mais grossa.
O ácido pode destruir a pedra
Pérola é o caso mais delicado: ela é orgânica e se dissolve em ácido. Esmalte, âmbar, coral, turquesa e opala também sofrem. Numa peça engastada, o joalheiro precisa escolher um ponto do metal longe da pedra, e às vezes esse ponto não existe.
Vale para peças que misturam ouro e pérola no dia a dia, como um Colar de Pérolas 5mm (R$ 1.250) ou um Brinco de Pérola de 6mm (R$ 780): o fecho e os fios são de ouro, a pérola não pode encostar em ácido nenhum.
Como se resolve na prática
Examinando uma região segura do metal, longe da pedra, quando ela existe. Quando não existe, o caminho é o exame por XRF, feito em laboratório ou em refinaria, que lê a composição sem encostar na peça.
Na nossa bancada a conferência combina peso, marcação, comportamento no ímã e o teste do ácido num ponto discreto. Quando a peça não permite nenhum deles, dizemos isso e indicamos o laboratório, em vez de arriscar um palpite. É por isso que vale trazer a peça: cada uma pede um caminho.

Quanto vale o grama do ouro 18k
Esta é a pergunta que mais muda de resposta ao longo do ano, e por isso vou te dar o método em vez de um número que estará errado semana que vem.
A conta
Procure a cotação do grama do ouro 24k no dia. Multiplique por 0,75 e você tem o valor teórico do grama do 18k. Se a sua peça tem 4 gramas, multiplique por 4.
Esse é o valor do metal contido, e é um teto teórico. Ninguém paga isso por joia usada, pelas razões que explico logo abaixo.
O ouro oscila muito mais do que as pessoas imaginam
Vale olhar o que aconteceu recentemente, porque muita gente decide com base numa manchete velha. O ouro bateu recorde no fim de janeiro de 2026, perto de US$ 5.600 por onça. No início de julho estava em torno de US$ 4.165, uma queda de cerca de 26% em pouco mais de cinco meses, com o pior trimestre em treze anos entre abril e junho (InvestNews, julho de 2026).
A subida que veio antes foi igualmente forte: nos doze meses anteriores ao recorde, a valorização passou de 90% (Agência Brasil). Quem guardou a manchete de janeiro e foi vender em julho encontrou outro mercado.
Cuidado com os sites de cotação
Ao conferir o preço do dia você vai notar que os agregadores brasileiros divergem entre si, às vezes em mais de dez por cento, e raramente informam a fonte. Use mais de um e trate o número como referência, não como oferta.
Peça leve não quer dizer peça falsa
Uma corrente fina de ouro pesa pouco, e isso desanima quem esperava um valor alto de metal. Repare que o peso baixo é uma escolha de projeto: correntes delicadas são feitas para uso diário e para durar sem incomodar.

Por que a sua joia não vale o peso em ouro
Esta é a conversa mais difícil da nossa loja. Prefiro tê-la aqui, por escrito, antes de você chegar com uma expectativa que eu vou ter que desfazer na sua frente.
Quem compra ouro usado paga abaixo da cotação
Isso é da natureza do negócio e não é, por si só, sinal de má fé. Quem compra precisa refinar o metal, o que tem custo e perda, e precisa de margem. O tamanho do desconto varia com o teor, a quantidade e a concorrência local, e não existe tabela pública que fixe esse percentual no Brasil. Peça a conta por escrito e compare em mais de um lugar antes de fechar.
O que diferencia um comprador sério de um aproveitador quase nunca é a existência do desconto. É se ele te explica o desconto com clareza, pesa a peça com você olhando e mostra como chegou ao teor.
O trabalho de bancada não entra nessa conta
Quando você vende ouro para refino, o design morre. A peça vai ser derretida e o que sobra é metal. Todo o tempo de projeto, modelagem, cravação, acabamento e polimento vira zero.
Compare duas peças de peso parecido: uma aliança lisa e uma Aliança Trançada (R$ 8.049), em que cada fio é torcido e soldado à mão. No refino as duas valem quase o mesmo. Na vitrine, não.
O mesmo vale quando entram pedras. Numa Meia Aliança com Diamantes (R$ 4.800), boa parte do valor está nas pedras e na cravação, que é o trabalho de prender cada uma no lugar. Nada disso sobrevive ao derretimento.
Antes de vender uma peça de família, pense duas vezes. Ouro derretido não volta. Se a peça tem história, quase sempre existe um caminho melhor do que o refino, e é sobre isso a próxima seção.

Herdei uma joia: por onde começar
Muita gente que procura este assunto não está comprando nada. Está com uma caixa nas mãos, muitas vezes depois de uma perda, sem saber o que fazer com o que ficou.
Os cinco passos, nesta ordem:
- Separe antes de tocar em água. Ponha de lado tudo que tem pérola, coral, âmbar, opala, turquesa ou esmalte. Pérola não pode ser molhada nem escovada: o fio interno incha e o brilho não volta.
- Fotografe cada peça com boa luz, inclusive as marcações, antes de qualquer limpeza.
- Limpe só o que é metal liso. Água morna, sabão neutro e escova macia. Nunca produto de limpeza doméstica, nunca nada abrasivo.
- Passe o ímã em tudo, inclusive nos fechos e nas argolas.
- Leve para conferência antes de decidir qualquer coisa. Fale com a gente e traga a caixa inteira, inclusive o que você acha que não vale nada.
Peça sem marcação não é peça sem valor
Repito porque é a dúvida mais comum nessa situação: joia antiga brasileira muitas vezes não tem marcação alguma. A ausência do “750” não diz nada sozinha.
O que costuma aparecer nessas caixas
Na prática, quase sempre há uma mistura: uma ou duas peças de ouro maciço, várias banhadas e alguma bijuteria. É normal, e não significa que alguém foi enganado. Significa que a pessoa comprou coisas diferentes ao longo de décadas.

Transformar joia antiga em uma peça nova
Quando uma joia tem história, derreter é o último caminho, não o primeiro.
Duas histórias que passaram por aqui
Um broche que atravessou gerações dentro da mesma família chegou ao ateliê guardado numa gaveta, sem uso. Ele virou um pingente e um par de brincos, que voltaram a ser usados no dia a dia (março de 2026).
Em outro caso, uma cliente recuperou apenas uma peça de um par depois de um roubo. Em vez de aposentar o que sobrou, restauramos a peça única, que seguiu carregando a memória da joia original (março de 2026).
O ouro da peça antiga entra na peça nova
O ouro é reciclável sem perder qualidade, o que permite aproveitar o metal de uma joia parada como parte do pagamento de uma nova. Explicamos esse processo em Ouro reciclável: o que você precisa saber, e a nossa página Renove reúne as opções.
Vale para peça quebrada, para peça que não se usa mais e para peça que ficou fora do gosto. Manda uma foto que a gente avalia junto.
Peça lisa aceita gravação
Quando a joia nova nasce de uma antiga, o pedido mais comum é gravar alguma coisa: uma data, uma inicial, um nome. Superfícies lisas e planas são as que melhor recebem gravação, porque a ferramenta apoia sem escorregar.

Onde testar seu ouro em Maceió
Se você está em Maceió ou vai passar por aqui, você acompanha cada etapa do exame. Não emitimos laudo gemológico, e é bom deixar isso claro: o que fazemos é a conferência de bancada, com explicação de cada etapa.
Maria Moura Joias
Empresarial Record Office, Sala 427
R. Eng. Mário de Gusmão, 988, Ponta Verde, Maceió/AL
Segunda a sexta, 9h às 18h
Sábado e domingo, 9h às 13h

Não vamos tentar comprar a sua peça
Essa é a hesitação mais comum e ela é justa. Você chega com uma joia de valor incerto e teme sair de lá tendo vendido barato ou comprado o que não queria.
Aqui a conferência termina na conferência. Dizemos o que a peça é, mostramos como chegamos a isso e você vai embora com a informação. Se quiser falar de renovação ou de venda depois, a conversa é sua para começar.
O que trazer
Traga a peça e, se tiver, a nota ou o certificado que veio com ela. Não precisa limpar antes. Se forem várias peças, traga todas de uma vez: a conferência de um conjunto leva quase o mesmo tempo que a de uma peça só.
Se você não está em Maceió
Procure um joalheiro com bancada própria, que faça o exame na sua frente e explique o que está fazendo. Desconfie de quem dá o veredito sem mostrar como chegou ao resultado, e de quem faz oferta de compra antes de você pedir avaliação.
E se quiser uma segunda opinião antes de sair de casa, mande as fotos no WhatsApp. Atendemos gente de fora de Alagoas todos os dias. Dizemos o que dá para ver pela imagem, dizemos o que não dá, e você decide a quem levar com uma pergunta melhor na mão.
Nossas condições de atendimento, garantia e conserto estão na página de garantia e nas perguntas frequentes.
Perguntas frequentes
Como saber se o ouro é verdadeiro em casa?
Você não consegue confirmar em casa, mas consegue eliminar. Passe um ímã na peça inteira, inclusive no fecho: se grudar, não é ouro. Olhe com lupa os pontos de atrito procurando outra cor por baixo. Sinta o peso, porque ouro é muito denso para o tamanho. Nenhum desses testes confirma o teor, e para isso é preciso exame de bancada.
O que significa 750 gravado na joia?
750 significa que 750 partes em mil são de ouro puro, ou seja, 75%. É a mesma coisa que ouro 18k, escrita em outra escala. O restante é liga de outros metais, que dá dureza e cor à peça.
Ouro 750 é 18k?
Sim, são exatamente o mesmo material. A escala de quilates divide o metal em 24 partes e 75% de 24 é 18. A escala de milésimos usa base mil e chega a 750. Muda a notação, não o teor.
Ímã gruda em ouro 18k?
Não. Ouro não é magnético, e a liga do 18k também não é em condições normais. Se a sua peça gruda no ímã, ela não é ouro. O contrário não vale: latão, alumínio, titânio e boa parte dos aços inoxidáveis de bijuteria também não grudam.
Ouro 18k escurece com o tempo?
Sim, e isso é normal. O ouro em si não oxida, mas um quarto da peça é liga com cobre e prata, que reagem com suor, perfume e ar salino. Forma-se uma película escura na superfície que sai com polimento. Ouro maciço escurecido continua dourado por baixo.
Ouro 18k é bom?
Sim, é o padrão consolidado da joalheria brasileira. Ele equilibra teor alto de ouro com dureza suficiente para uso diário e para segurar pedras. Ouro puro seria mole demais para joia.
Qual a diferença entre ouro e banhado a ouro?
Peça de ouro é maciça: o metal é o material da peça inteira. Peça banhada tem outro metal por baixo, coberto por uma camada fina de ouro depositada em processo galvânico. A camada se desgasta com o uso e não é permanente, enquanto a peça maciça não descasca porque não há camada a descascar.
Semijoia é ouro?
Não no sentido de peça maciça. Semijoia costuma designar peça de outro metal com banho de ouro e acabamento apurado. Como nenhuma regra obriga as lojas a usar o termo do mesmo jeito, ele varia de loja para loja e não é informação confiável sozinho.
Qual a diferença entre banhado e folheado?
A espessura da camada de ouro. Folheado indica camada mais grossa que o banho comum, medida em milésimos, e por isso dura mais. Nos dois casos há outro metal por baixo e a camada se desgasta com o uso. Como nenhuma regra obriga a loja a informar a espessura, pergunte antes de comprar.
Como saber se a joia é ouro ou bijuteria?
Comece pelo ímã e pela lupa. Bijuteria com base ferrosa gruda no ímã, e bijuteria dourada mostra outra cor nos pontos de atrito. O peso também denuncia: ouro é muito mais denso que os metais usados em bijuteria. Para certeza, é preciso exame de bancada.
Quanto vale o grama do ouro 18k?
Multiplique a cotação do grama do ouro 24k do dia por 0,75. Esse é o valor teórico do metal contido, e não o valor da joia. Os sites de cotação brasileiros divergem entre si, então confira em mais de um.
Posso fazer o teste do ácido em casa?
Não. Ácido nítrico é corrosivo, causa queimadura química grave que continua avançando depois do contato, e libera vapores que irritam as vias aéreas. O teste exige luva, proteção ocular e facial e ventilação adequada. Leve a peça a um joalheiro.
Joia sem marcação não é ouro?
Não necessariamente. Joia brasileira feita há quarenta ou cinquenta anos frequentemente não traz marcação nenhuma, e isso não diz nada sobre o teor. Do mesmo modo, encontrar 750 gravado não é garantia, porque a marcação é gravada pelo fabricante e pode ser falsificada.
Por que o ouro branco fica amarelado com o tempo?
Porque o tom espelhado vem de um banho de ródio aplicado sobre a liga, e o ródio se desgasta com o uso. A liga do ouro branco, por baixo, puxa para um cinza amarelado. O banho é refeito em ateliê e é manutenção comum.
Ouro 18k mancha a pele?
Em condições normais, não. Marca verde ou escura no dedo costuma indicar cobre exposto, o que aponta para banho gasto ou liga de baixo teor. Pele muito ácida, medicamentos e produtos de limpeza podem alterar esse comportamento, então é indício e não veredito.
Quanto se paga por ouro usado?
Abaixo da cotação, sempre. O comprador precisa refinar o metal, o que tem custo e perda, e precisa de margem. O tamanho do desconto varia com o teor, a quantidade e a concorrência local, e não existe tabela pública que o fixe no Brasil. Peça a conta por escrito e compare em mais de um lugar.
Vender a joia da família compensa?
Depende do que você quer preservar. No refino o design vira zero: o trabalho de projeto, cravação e acabamento se perde e sobra só o metal, e ouro derretido não volta. Se o valor da peça para você é sobretudo o metal, vender é uma opção; se há história envolvida, transformar costuma preservar mais.
A Maria Moura Joias confere se a minha peça é ouro?
Sim. A conferência é feita na sua frente, com explicação de cada etapa, na loja em Maceió. Vale para peça comprada aqui ou em qualquer outro lugar. Não emitimos laudo gemológico. Combine antes pelo WhatsApp (82) 98113-1690.
Vocês emitem laudo do ouro?
Não emitimos laudo gemológico. O que fazemos é a conferência de bancada, mostrando o método e o resultado na hora. Se você precisa de documento formal, o caminho é um laboratório especializado.
Dá para transformar uma joia antiga em outra peça?
Sim, e costuma ser o melhor caminho para peça de família. O ouro é reciclável sem perder qualidade, então o metal da peça antiga entra na nova. Já transformamos broche em pingente e brincos, e restauramos peça única que sobrou de um par.
Fontes
| O que sustenta | Fonte |
|---|---|
| Efeitos do ácido nítrico na pele e nas vias respiratórias, e a conduta de primeiros socorros | Manuais MSD, mais as fichas de segurança química do produto |
| Ausência de classificação oficial amarrando joia, semijoia, folheado e bijuteria, e o trabalho de padronização do setor | IBGM, Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos |
| Classificação do revestimento de ouro em joias folheadas | ABNT NBR 15876, vigente |
| Teores de ligas de metais preciosos. A norma brasileira NBR ISO 9202 foi cancelada em janeiro de 2026 | ISO 9202, versão internacional, ainda publicada |
| Queda de cerca de 26% desde o recorde e o pior trimestre em treze anos | InvestNews, julho de 2026 |
| Recorde de janeiro e a valorização acima de 90% nos doze meses anteriores | Agência Brasil, janeiro de 2026 |
| Os casos de bancada citados: o broche que virou pingente e brincos, e a peça restaurada depois do roubo | Publicados por nós no Instagram da Maria Moura Joias |
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Escrevo estes guias na bancada, a partir do que chega na nossa loja todos os dias. Se você quer entender outras peças do mesmo jeito, veja também como saber se uma esmeralda é verdadeira e o guia da moissanite.







